Número de policiais civis reduziu 15,4% na última década na Seccional de Marília

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Por Matheus Bito (JORNAL DA MANHÃ) / Fotos: Edio Junior e Leonardo Moreno

O efetivo da Polícia Civil na Delegacia Seccional de Marília, composta por 14 cidades, sofreu uma redução de 15,4% na última década. Os números foram obtidos com exclusividade pela reportagem do Jornal da Manhã através da Lei de Acesso à Informação.

Os dados enviados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo indicam que no ano de 2011 a Delegacia Seccional possuía 239 servidores em nove carreiras policiais. O número foi reduzindo ano após ano e atualmente tem 202 servidores.

A única carreira que apresentou crescimento na década foi a de investigador. Em 2011 eram 81 policiais civis e esse número avançou para 89, uma elevação de 9,8%.

“O uso da tecnologia minimizou essa defasagem de efetivo, mas isso tem impacto direto no esclarecimento de crimes. Desde 2015 vem havendo uma reposição, mas ainda não é suficiente. Como gestor, priorizamos o ingresso dos novos policiais para as delegacias especializadas, pois são as que cuidam dos crimes mais graves”, disse o delegado seccional de Marília, Wilson Carlos Frazão.

A Seccional de Marília reduziu na última década em 27% o número de delegados. Atualmente só existem esse tipo de profissional fixo em cinco cidades – Marília, Pompéia, Garça, Vera Cruz e Ocauçu – e foi adotado o Plantão Regional para atendimento de ocorrências.

“Foi a forma que encontramos de minimizar o problema. Quando alguma ocorrência acontece nesses cidades, o fato é registrado na Central de Polícia Judiciária  (CPJ) de Marília por delegados designados para a sub região”, disse Frazão.

Para o presidente do Sincopol (Sindicato Regional dos Policiais Civis do Centro Oeste Paulista), Celso Pereira, a redução do efetivo tem impactado na qualidade do serviço prestado à população e também na saúde do policial civil.

“Essa é uma situação que não pode persistir, pois essa defasagem escraviza o policial civil. Atuamos num serviço arriscado, penoso e insalubre, e a sobrecarga de trabalho tem causado inúmeros problemas de saúde. A falta de servidores também causa um atendimento não adequado para a pessoa quando ela tem uma necessidade”, disse.

Pereira afirma ainda que a entidade já esgotou medidas judiciais para que o quadro de servidores da Polícia Civil seja preenchido e que essa situação será revertida apenas com vontade política.

“Acionamos o Ministério Público e ingressamos com ações civis, mas nada prosperou. Entendemos que precisamos de uma normatização e organização do quadro funcional da Polícia Civil, e isso virou questão política”, finalizou.

Por nota a SSP informou que a gestão do governador João Dória (PSDB) nomeou 1.915 aprovados no concurso de 2017, mas 1.453 compareceram à posse em dezembro e já estão na Academia da Polícia Civil.

Também está em andamento a nomeação de outros 850 aprovados em concurso, sendo 250 delegados e 600 investigadores. O governo já autorizou a abertura de 2.750 vagas pra concursos da Polícia Civil e os editais devem ser lançados nesse ano.