Artigo na grande imprensa escancara falta de projeto para Polícia Civil

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Nos últimos dias de 2018 o blog Faces da Violência, da Folha de São Paulo, escancarou a falta de projeto para a Polícia Civil ao analisar dados sobre o déficit de funcionários dentro das delegacias, um problema frequentemente denunciado pelo Sincopol (Sindicato Regional dos Policiais Civis do Centro Oeste Paulista. A estimativa é de mais de 30% dos cargos vagos da polícia judiciária.

O artigo assinado pelo professor do Departamento de Gestão Pública da Faculdade Getúlio Vargas, Clóvis Bueno de Azevedo, trabalha com base em levantamento sindical. Dos 41.912 cargos fixados por lei para a polícia civil paulista, apenas 28.743 estariam ocupados.

“Entre as principais carreiras, o maior déficit é na de escrivães, que são os responsáveis por toda a burocracia da polícia civil e por registrarem boletins de ocorrência e inquéritos policiais. Nela, das 8.912 vagas previstas, só 5.973 estão ocupadas, com quase 3 mil não preenchidas (33% do total)”, diz o especialista.

De acordo com ele, “a falta de investimento do Governo de São Paulo em repor os policiais que saem da corporação, seja por aposentadorias, expulsões, pedidos de demissão, ou mesmo mortes, revela que inexiste uma política adequada de recursos humanos para a corporação”. O problema teria sido agravadopela decisão de Geraldo Alckmin (PSDB) em reduzir as despesas do governo.

A situação revela, segundo Clóvis, a falta de um projeto institucional que a fortaleça a Polícia Civil em sua missão. “Se olharmos o exemplo da Polícia Federal (PF), veremos que, a partir de 2003, a corporação foi completamente renovada, com a realização de diversos concursos, contando, além disso, com altos investimentos em tecnologia e sistemas. Mas não é só: além da vontade governamental, havia um projeto”, compara.

Na região abrangida pelo Sincopol, mais de 50 cidades cobertas pelas Delegacias Seccionais de Tupã, Marília, Ourinhos e Assis também sofrem com a falta de pessoal. De acordo com o presidente da entidade, Celso José Pereira, a região já teve mais de 700 policiais civis, mas hoje trabalho com pouco mais da metade desse contingente.

“Com os novos governos nós esperamos que sejam tomadas atitudes concretas no sentido de criar uma agenda de verdade para a Segurança Pública, com metas claras e factíveis para contratação e valorização de pessoal, investimento em inteligência e equipamentos, além de estratégias que funcionem. A promessa em nível estadual e federal durante as eleições foram nesse sentido. Nós vamos cobrar”, afirma o sindicalista.