Ao menos 348 aprovados em concurso da Polícia Civil deixaram de tomar posse

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Ao menos 348 candidatos aprovados na Polícia Civil em um concurso realizado em 2017 deixaram de se apresentar para posse dos cargos em todo o Estado de São Paulo. O Sindicato Regional dos Policiais Civis do Centroeste Paulista credita a situação à desvalorização da categoria.

A “evasão” de aprovados para agente de telecomunicação, policiais, papiloscopistas e auxiliares, e de escrivães foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE) do último dia 14.

O presidente do Sincopol, Celso José Pereira, lembra que os policiais civis estão sobrecarregados, sofrem com o arrocho salarial e a precarização das condições de trabalho. Ele representa os policiais civis de mais de 50 cidades abrangidas pelas Delegacias Seccionais de Tupã, Marília, Assis e Ourinhos.

Já o presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Campinas (Sinpol), Aparecido Lima de Carvalho, reafirma que essa falta de interesse em tomar posse tem ligação com os baixos salários e mais: ao risco de vida inerente a profissão.

“Se o candidato tem duas opções ele irá para aquela que ganha mais e não oferece risco de vida. O governo de São Paulo precisa urgentemente valorizar seu policial. Hoje temos o pior salário do Brasil no Estado mais rico da Federação” , disse.

De acordo com o edital, 92 escrivães, 86 auxiliares de papiloscopista, 85 agentes policiais, 55 agentes de telecomunicações e 30 papiloscopistas não compareceram para tomarem posse dos cargos dentro do prazo legal.

No final de fevereiro, 20 dos 250 delegados aprovados e nomeados no último concurso para delegado de Polícia não tomaram posse.

Em todo o estado de São Paulo, segundo o Sindicato dos Delegados (Sindpesp), o déficit de policiais é de 13.137, sendo de investigador 3.599; escrivão de 2.826 e delegados 951. Para os sindicalistas, o número atual de policiais é insuficiente e desumano para manter o bom funcionamento das delegacias.